Aos cinco anos de idade conheci ela, a Tixa. Capturei a danada na varanda recém-encerada de casa. Ela estava com o rabo quebrado, por isso foi mais fácil pegá-la. Em uma caixa de sapatos, providênciei a moradia de Tixa, a minha lagartixa de estimação. E começou a difícil tarefa de cuidar da pequenina.
Procurei, e muito, insetos voadores para dar de comer a ela, mas Tixa nada comeu durante o dia e a noite que passamos juntas. Mas ela era mesmo bonitinha, branquela que podia se ver os minúsculos orgãos por dentro. Fui dormir feliz, com a tixa comigo, debaixo das cobertas. Era junho, estava frio, e fiquei com medo dela morrer congelada.
Na manhã seguinte uma surpresa. Tixa morreu, mesmo no conforto da minha manta dos ursinhos carinhosos. Fiquei arrasada e provideciei o enterro de minha amiga.
Cavei um buraco no quintal, perto do canteiro de melissas de minha avó, porque eram muito bonitas. Forrei com folhas de café e flores de primavera. Enterrei Tixa em uma despedida triste. E foi assim que eu descobri a morte.
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